
Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou.Jorge Dias
Em quatro versos e oito compassos,Armando Leça
cabe tanta coisa, tanta,
como só a gente portuguesa o sabe!
"É sempre uma grande alegria testemunhar o nascimento de uma obra com que sonhámos e na qual nos empenhámos. Vila Real vai dispor enfim de um estabelecimento de ensino dirigido para as artes musicais, que possibilitará a tantos e tantos jovens vocacionados para a mais sublime das artes a sua formação profissional no campo da música."...Comendador Manuel Correia Botelho
"Na verdade, sempre senti alguma atracção para as questões culturais e em particular para as musicais. Sabedor de que Vila Real carecia de um Conservatório, senti-me naturalmente inclinado a partilhar algumas das benesses materiais que fui forrageando ao longo da vida, ajudando a criar e a manter a Fundação que dá suporte legal ao Conservatório."...
"É um complexo magnífico, que mostra bem como os transmontanos são capazes do melhor, quando estão devidamente motivados."...
O Conservatório Regional de Música é uma escola que notoriamente fazia falta e a que a Câmara Municipal de Vila Real lançou mãos. Para isso adquiriu o edifício setecentista do antigo convento de São Domingos, em Vila Real, com o apoio do Ministério da Cultura, para nele instalar, depois da necessária remodelação, com respeito e salvaguarda das principais características arquitectónicas, o novo estabelecimento de ensino. Juntaram-se assim duas componentes culturais essenciais: a criação do Conservatório e a recuperação criteriosa do património arquitectónico.Doutor Manuel Martins
Além da componente de ensino musical, o Conservatório compreenderá igualmente uma valência de investigação na área de Etnomusicologia e um estúdio de gravação, o que lhe dá um certo carácter pioneiro de que muito nos orgulhamos. É justo deixar aqui palavras de gratidão. Uma, ao Comendador Manuel Correia Botelho, pessoa natural do concelho de Vila Real com notória vocação para o apoio de iniciativas de carácter cultural, que aceitou dar o seu nome e o seu forte apoio à Fundação com o seu nome que tem a responsabilidade de gestão desta novel escola.
O nosso agradecimento igualmente aos inúmeros mecenas que benevolamente e de forma decisiva contribuem também para a viabilidade financeira deste empreendimento. Vila Real está agora mais rica. Os seus filhos com vocação para a música já não terão de se deslocar para outras cidades. É mais um passo no caminho do desenvolvimento cultural e educativo.
O chão do Convento de S.Domingos, em quinhentos e oitenta anos, foi também hospital, quartel, estalagem, cineteatro...chegando-nos substancialmente vivido, de cicatrizes sobrepostas. O novo hóspede é agora o Conservatório de Música, procurando em simultâneo, clarificação histórica e carácter para a escola.Vila Real, 18 de Outubro de 2004
A implantação, contêm-se entre a fachada mais arcaica a poente e a fachada nascente, cenográfica e urbana (refeita no século XVIII), cumprindo-se a norte o limite do 'pátio das cantigas'. Sem marcas do claustro (confirmado nos poços de água encontrados em obra), a fachada sul é nova e paralela às naves da igreja. Suficientemente próxima para inventar um pátio intimista e suficientemente distante, em linguagem austera, para ceder o protagonismo às pedras antigas.
A fachada poente foi devolvida à rudeza que se virava para a cerca rural. A fachada nascente foi silenciada, ao nível da avenida, deixando-se penetrar apenas no túnel-abóboda, que é aqui, iniciação e fronteira de silêncio.
O programa organiza-se em sequências lineares de salas e na estratificação simples dos pisos: auditórios polivalentes (nível 1), público e estúdio (nível 2), aulas (nível 3), administração (nível 4).
As circulações esticadas, constroem em geometria óbvia, um espaço abstracto, demorado, monástico, tranquilo...Interrompido radicalmente por buracos de razão incerta...Devassado paradoxalmente pela história exterior. Convivem contemplação e acção.
Há disputas contundentes. Entre a horizontalidade dominante de luz ingávida e a verticalidade de óptica deslumbrante. Há isolamento e expansão. Há melancolia e sombras. Aqui a(s) forma(s) não vêm associadas aos espaços, sempre anónimos e inocentes. É a luz que governa os espaços. Uma luz-física e não metafísica.
Uma luz-táctil, que elogia o instante. Que funde memória e esquecimento. A nova deformação de S.Domingos aspira ao impossível: um refúgio experimental.
António Belém Lima
Arquitecto
Presidente do Conselho de Fundadores e Beneméritos
Pedro Chagas Ramos
Administração
José Fortunato da Costa Leite (Vogal Executivo)
Joaquim José Jacinto Escola (Vogal)
Manuel do Nascimento Martins (Presidente)
Conselho Fiscal
Agostinho Mourão Quintelas (3º Membro efetivo)
Eduardo Luís Varela Rodrigues (Presidente do Conselho Fiscal)
José António Lordelo (Membro suplente)
António Malgalhães & Carlos Santos, representado pelo R.O.C. António Fernando Ledo de Matos (2º Membro efetivo)
Diretor Executivo
José Fortunato da Costa Leite
Direção Pedagógica
António Sérgio Luís Ferreira
Alberto Simões Mendonça
Plácido Dinis Carvalho
Documentação




